“O retorno só fez bem para a gente” — Entrevista com Rome (Sublime With Rome)

Foi como bruxaria: o que poderia acontecer de melhor e de pior na carreira do Sublime rolou praticamente ao mesmo tempo. E de maneira repentina. Em 1996, pouco antes de a banda lançar seu disco autointitulado, o terceiro e mais celebrado da discografia, o vocalista Bradley Nowell morreu — ao que indicam as circunstâncias, de overdose. Músicas desse álbum, como ‘Santeria’, ‘What I Got’ e ‘Wrong Way’ reverberaram pelo mundo, fazendo os californianos ficarem conhecidos. Mas, sem o frontman, não foi possível aproveitar o sucesso por completo.

Até que, em 2009, como num passe de mágica, surgiu o talentoso jovem Rome Ramirez, então com 20 anos. Ele não apenas assumiu o posto deixado pelo falecido músico, tocando guitarra e cantando, mas impressionou com uma voz que lembra a de seu antecessor. Em 2010, para evitar complicações legais, o conjunto foi rebatizado como Sublime With Rome. Desde então, o grupo já lançou dois discos de estúdio — Yours Truly (2011) e Sirens (2015) — e rodou em turnês por vários cantos do mundo mundo. Atualmente, a formação tem ainda o baixista Eric Wilson (único membro ainda na ativa desde o início das atividades) e o baterista Carlos Verdugo (o original, Bad Gaugh, saiu em 2011).

É esse trio que vem a Porto Alegre em 13 de setembro, para show no Opinião (José do Patrocínio, 834). Vai ser a segunda passagem do Sublime With Rome pela cidade — a primeira foi em 2011, quando se apresentaram no Pepsi on Stage praticamente com lotação esgotada.

Na entrevista a seguir, Rome fala sobre novo disco, o atual momento da banda e o que faria para melhorar o mundo se pudesse praticar ‘santeria’.

Qual a situação do álbum que estava previsto para sair este ano? Alguma ideia de quando o disco deve ser lançado? Já estão tocando faixas desse trabalho nos shows?
Rome Ramirez — Olá, primeiramente obrigado por seu tempo. Somos muito gratos pela força que estamos recebendo com o Sublime With Rome. Nosso novo disco está pronto e deve ser lançado na primavera (dos EUA) de 2019. Vamos tocar uma nova música desse registro nos shows, pois queremos ir aquecendo para o lançamento. Os fãs podem esperar o melhor do Sublime!

A banda tem usado uma foto de divulgação em que os três integrantes aparecem com visual mais punk. Alguma razão para isso? Tipo, o álbum vai soar mais agressivo ou as composições expressam descontentamentos com alguma situação?
Rome —  Não há nenhuma razão especial. Gostamos de mudar a aparência de tempos em tempos. E acho que nossa música tem o poder de mudar as pessoas, simplesmente como trocamos nosso visual.

Ainda no sentido da pergunta anterior: como o punk rock, principalmente da Califórnia, reverbera no som do Sublime With Rome?
Rome —  Seguimos ouvindo os mesmos tipos de som que gostávamos no passado. Nossa relação com o punk segue inalterada, ainda curtimos pra caramba! 

O Sublime With Rome tem um espécie de sonoridade ensolarada — talvez pelo fato de a banda ser da Califórnia. Como vocês constroem essa identidade e como agregam referências de diferentes gêneros (reggae, dub, rock…)?
Rome — Tem muito da Studio One (gravadora e estúdio jamaicanos) com o reggae. Algo sujo e verdadeiro, como  Lee ‘Scratch’ Perry e coisas do tipo. Primeira onda, yeah! Esse é o estilo que estávamos tentando atingir. Então, misture isso com baterias pulsantes numa sala ao vivo, mais camadas de samples e está feito. Quero dizer, as pessoas esperam que o Sublime faça um disco de reggae rock, certo? Porque esse é o estilo das músicas mais populares da banda. Porém, algumas das melhores coisas da discografia passada do Sublime não foram singles. Eram faixas influenciadas pelo Black Flag e pelo Greg Ginn (guitarrista do Black Flag), por exemplo. E vamos ter um pouco disso no álbum novo.

Agora que você já está fazendo vocal e guitarra na banda há um tempo, sente uma sintonia maior desde que os trabalhos foram retomados, em 2009?
Rome — Claro! Esse retorno só fez bem para a gente, como músicos e como pessoas. Eu acredito piamente que o melhor para a banda ainda está por vir. 

E como as mudanças de formação, tal qual a saída do batera Bud, afetam a química do grupo e a maneira como vocês compõem?
Rome — Mudanças são naturais. As pessoas são diferentes, tem variados modos de pensar. Mas sempre vejo pelo lado positivo: novas experiências são importantes em nossas vidas e para a banda. 

Você e o Eric têm filho e entendem a relação entre pais e suas crianças. Podemos dizer que rolou uma espécie de sentimento paterno do Eric com você, por ele ser mais velho e fundador do Sublime?
Rome — Acreditamos que, na vida, sempre há uma conexão espiritual entre as pessoas. E tem sido um grande privilégio tocar com os caras do Sublime.

Além do trio que é a base da banda, alguns shows do Sublime With Rome contam com outros músicos (mais um guitarrista, DJ, naipe de metais…). Por que, às vezes, as apresentações são só os três integrantes principais e outras envolvem mais gente?
Rome — Pensamos que não há limites em termos de musicalidade. Sempre acrescentamos algo de novo aos sons quando achamos necessário. 

Se você fosse capaz de praticar bruxaria, o que faria para fazer do mundo um lugar melhor?
Rome — Cuidaria da nossa rotina, protegendo o meio-ambiente, nossas crianças e amando as pessoas. Existem muitos jeitos de fazer o mundo melhor!

Por Homero Pivotto Jr.

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