Atento aos problemas do mundo e doente pelo metal — entrevista Piotr “Peter” Wiwczarek (Vader)

A razão para o título do mais recente lançamento do Vader ser Dark Age (idade da treva, em tradução livre) tem a ver com direitos autorais. No entanto, o próprio líder da banda, Piotr “Peter” Wiwczarek, sabe que é praticamente impossível dissociar um nome como esse dos tempos em que vivemos. Religião, guerra e estupidez humana — temas recorrentes nas composições do quarteto — reforçam tal percepção. E Peter tem bastante a dizer sobre isso na entrevista a seguir, que aborda também influências musicais, o cenário da música extrema na Polônia e os planos para o futuro.

O Vader apresenta o show da turnê “The Ultimate Incantation – 25 years of Chaos” em Porto Alegre no dia 18 de maio, às 20h, no Opinião (José do Patrocínio, 834).

Dark Age (idade da treva, em tradução livre) é o nome do último lançamento do Vader — uma coletânea com regravações do disco de estreia The Ultimate Incantation (1992). E o título se encaixa perfeitamente no tempo em que vivemos. Houve algum evento em específico que o levou a escolher essa expressão para batizar o álbum?

Piotr “Peter” Wiwczarek — O título é muito apropriado ao nosso momento atual, de fato. Porém, a razão para termos escolhido esse nome foi outra. Queríamos fazer uma reedição do nosso debut, mas a Earache Records (gravadora que detém os direitos da obra) não queria deixar. Mesmo que fosse uma tiragem bem limitada. Estávamos prontos para pagar o dobro e licenciar o material ou encontrar outra solução. Tudo em vão. O único jeito de celebrarmos os 25 anos de The Ultimate Incantation foi regravando-o, dando um nome diferente e fazendo outra capa. E foi o que fizemos.

Mesmo que o título não seja especificamente um reflexo dos dias atuais, é impossível não fazer relação com isso. Logo, pensa que há uma luz que possa nos guiar por essa era da escuridão? Ou, como previu o Terrorizer ao batizar seu segundo disco: darker days ahead (dias mais trevosos pela frente, em tradução livre)?

Peter — O mundo, como sabemos, está há tempos sem uma grande encrenca. Há conflitos, claro, em diversas partes do globo. Contudo, nada muito espetacular ocorrendo na Europa ou na América do Norte. As novas gerações não têm ideia de o que é uma guerra real e as mortes que ela provoca. O que está acontecendo agora na Europa vai levar a outra guerra mundial se as pessoas não pararem de seguir políticos estúpidos e gananciosos. Nos anos 1990, nós acabamos com diversas fronteiras. Com isso, cidadãos de vários países puderam conhecer o continente e nações que foram oponentes 50 anos antes. Muitos têm tentado (e conseguido) curar velhas feridas. Mas seus filhos estão querendo abri-las novamente, e isso é realmente idiota e perigoso. Depois que o fogo começa, não há como retroceder. E a era da treva vai comandar o mundo.

O tema das letras do Vader não é apenas antirreligião, mas esse assunto é frequente na discografia da banda. O quanto você acha que a religião influencia uma sociedade que caminha pela era da treva?

Peter — A religião carrega as ideias mais envenenadas da humanidade. Bem ao contrário das suposições. Não tem nada a ver com a crença das pessoas, mas usar isso para lucrar. Essa é a principal razão pela qual odeio política e escrevo tanto sobre isso em minhas letras. Eu respeito quem tem crença, pessoas que escolhem um poder supremo, que cria e destrói tudo aquilo que chamamos de vida. Isso é uma opção pessoal e deve ser respeitada nesse sentido. Como era o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Obrigar as pessoas a ter uma única verdade e ameaçá-las para isso é muito ruim. É esse tipo de situação que conduz à guerra em nome de ‘Deus’, que nada mais é do que dizimar e invadir. A religião está ficando mais forte  atualmente porque fiéis cegos encontraram uma boa razão para eliminar todos os inimigos de seu Deus.

Ser de uma país que já deu ao mundo um Papa (João Paulo II) fez com que você aprendesse a lidar com a questão religiosa cedo? Quando se deu conta de que o lance de ‘obedeça’, ‘faça isso, faça aquilo’ era algo prejudicial à humanidade?

Peter — Essa é a razão pela qual escolhi o cristianismo como o ideário mais nocivo do mundo. Eu conheço isso desde criança. A religião é o grande problema da Polônia atualmente. O que escrevo nas letras é uma opinião geral sobre a religião em si.

Outro tema comum na parte lírica do Vader é a guerra. Questão com a qual a Polônia também teve mais proximidade do que muitos países — considerando que a invasão do seu país foi o estopim para Segunda Guerra Mundial, por exemplo. Falando como alguém que esteve sempre tão perto do assunto, o quão longe acredita que estamos de um novo conflito mundial e qual o reflexo disso nas letras?

Peter — O problema é que o povo polonês vive das lendas criadas pela propaganda ou por filmes como Corações de Ferro, no qual o que é retratado (embora bem feito) é diferente da realidade da guerra. E isso é uma tendência mundial hoje em dia. Apenas preste a atenção e vai perceber o que estou falando. É clara a intenção de reconstruir fronteiras. Logo, aparecem assuntos mal resolvidos no passado e os antagonismos disso. Políticos ganham dinheiro com o ódio. Sempre! É por isso que política e religião mantêm as pessoas longe da educação. É muito mais fácil manipular e controlar quem não tem conhecimento. Triste, mas verdade. A força faz sentido, mas só se conectada ao cérebro. Se é que você me entende…

A atual turnê celebra os 25 anos de lançamento do disco de estreia The Ultimate Incantation. Sabemos que a indústria da música mudou bastante durante este quarto de século, mas como isso afeta diretamente o cenário da música extrema?

Peter — Mesma situação de qualquer outro ‘negócio’ que envolva arte. Em vez de ajudar e desenvolver, o viés escolhido foi o comercialismo, a corrupção, a falta de conexão emocional etc. Temos mais bandas e menos paixão. Mais nomes, menos qualidade na música. As pessoas tocam melhor seus instrumentos, mas não conseguem criar as próprias composições. Apenas compare os anos 1980 e a década atual do século XXI. Não se trata apenas de uma opinião subjetiva, é drasticamente visível. Pelo menos existem algumas bandas boas tocando hoje em dia, e isso é esperança para mim e para quem pensa da mesma forma. Há quem faça seu som e não dê a mínima para o lado comercial. Power Trip, Hellbringer, Decapitated, Evile… apenas para citar algumas.

O lançamento mais recente traz as mesmas músicas do disco de estreia. Por que refazer isso? Havia algo que não gostava no jeito que as faixas soavam?

Peter — Pela razão que falei anteriormente. A decisão da Earache nos forçou a fazer isso. Além disso, nunca gostei da sonoridade do nosso debut. Estávamos em um estúdio profissional pela primeira vez e não tínhamos nosso equipamento. Guitarras, pedais… era tudo alugado. Não havia tempo para experimentar ou conhecer o que tínhamos disponível. Imagine The Ultimate Incarnation soando como Dark Age em 1993. 😉 De qualquer maneira, a sonoridade nunca esteve em discussão. Goste ou não, é parte do pacote. Mesmo no metal, estilo no qual o que se ouve é crucial.

O Vader é conhecido por misturar estilos extremos do metal, como death e thrash metal — embora o primeiro seja preponderante. Como você vê o death e a música extrema em geral atualmente? Não apenas musicalmente, mas falando também de mercado, receptividade da audiência e qualidade das bandas.

Peter — Nunca gostei dessas categorizações no metal. Todos os gêneros aparecem com o tempo. Escolhemos death metal para descrever o Vader porque nossa música fecha com tal definição. Apesar de que o Vader já foi considerado thrash e até black metal por alguns. Nós definitivamente tocamos metal extremo com influências de thrash, grind ou heavy clássico. Metal hoje em dia é um território vasto. Há bandas classificadas como metal que nunca seriam chamadas assim nos anos 1980 e 1990. Tanto pela música quanto pela imagem. Eu aceito isso, mas não gosto. Há uma onda de revival do real metal ultimamente, e fico feliz com isso. Vejo novamente novas geraçõe de metaleiros na primeira fila, bangueando e gritando, com cabelos longos e jaquetas de couro com rebites. Isso é metal para mim! E sinto falta disso.

O que você pensa sobre os tantos rótulos que apareceram durante os anos para descrever as bandas de metal? Tipo OSDM (old school death metal), brutal death metal, deathcore… Isso ajuda a espalhar a palavra ou segrega ainda mais?

Peter — Como disse anteriormente, não curto toda essa segregação no metal. Quando eu era um jovem metalhead, ouvia com a mesma empolgação Black Sabbath, Slayer, Exploited ou Saxon. Logo, fiquei mais ortodoxo e focado na velocidade e nos temas obscuros.  Os últimos anos, no entanto, me trouxeram de volta ao que eu costumava escutar antigamente.

Como era a cena da música extrema na Polônia quando o Vader iniciou as atividades, na primeira metade dos anos 1980? Quais bandas influenciaram vocês?

Peter — O Vader foi uma das bandas que começou o cenário de música extrema na Polônia. Éramos todos pirados com hordas como Saxon, Priest ou Maiden, mas queríamos tocar mais rápido. Venom, Slayer e Kreator foram divisores de água em nosso país no começo dos 80’s. Quando iniciamos, entre 1982-83, o Vader era mais heavy/speed, mas ficamos mais radicais logo em seguida. Fomos pioneiros no cenário underground junto com alguns amigos com os quais nos encontrávamos para ouvir metal e beber. Havia bandas como Imperator, Ghost, Merciless Death e Scarecrow, além de outras bem promissoras. Quase todas desapareceram. É por isso que quis recordar a cena do metal extremo polonês gravando Future of the Past 2: Hell in the East há alguns anos. Não havia apoio nenhum e estávamos tentando cooperar e nos ajudar. Foram ótimos e felizes dias.

Quais considera as grandes realizações que alcançou sendo músico?

Peter — Seguimos ativos e ocupados desde que começamos, há 35 anos. Existe uma legião de fãs fiéis e dedicados ao Vader por todo o mundo. Estamos na terceira geração de Vadermaníacos e vejo com frequência jovens nos shows com seus pais. O que posso pedir mais? O respeito dos fãs é o melhor e qualquer banda pode ter isso.

O último trabalho de inéditas é The Empire (2016). Há planos para um novo registro?

Peter — Temos planos de gravar um novo disco em janeiro de 2019. Então, deve sair antes ou depois do verão europeu. Vai ser realmente brutal. Talvez lancemos um EP antes, no fim de 2018, para manter os fãs ativos com algo novo. Todo este ano é especial para nós. São 35 anos de banda, 25 anos do nosso debut e 20 anos de Black to the Blind. Depois disso vamos nos voltar aos tempos modernos e preparar algumas faixas agressivas.

De onde vem a energia para continuar detonando ao vivo depois de três décadas?

Peter — Do coração! Eu sou (todos somos, de maneiras diferentes) loucos por metal desde que ouvi Black Sabbath pela primeira vez. Isso foi em 1980. O que veio depois com Judas Priest, Slayer e Morbid Angel só aumentou minha paixão. Sou um doente por metal!

Por Homero Pivotto Jr.

Vader: a trilha sonora para a idade da treva que nos assola

A intolerância contemporânea faz com que não seja exagero classificar o tempo em que vivemos como um período trevoso. Não apenas, mas muito em função das redes sociais, o pior do lado negro da força foi colocado em evidência. Darth Vader, no auge de sua vilania, teria nos dias de hoje um excelente contexto para perpetuar a escuridão e ficaria orgulhoso da capacidade que os humanos têm em se mostrar criaturas maldosas. Não à toa, os poloneses do Vader — banda que tem seu nome inspirado justamente no personagem que, durante parte da saga Star Wars, sintetizou o mal — batizaram seu lançamento mais recente como Dark Age (idade da treva, em tradução livre). Simples inspiração ou um alerta? Possivelmente ambos, pois a arte costuma ser um produto do cenário em que foi concebida.

 

A coletânea, que saiu no fim de 2017, traz as faixas do disco oficial de estreia, The Ultimate Incarnation (1992), com nova roupagem — principalmente na produção mais cuidadosa. Aproveitando o gancho desse lançamento e das celebrações de 25 anos do primeiro álbum, o quarteto está rodando o mundo com a turnê ‘‘The Ultimate Incantation – 25 years of Chaos”. Porto Alegre recebe mais uma vez o ataque sonoro do Vader dia 18 de maio, sexta-feira, às 20h, no Opinião (Rua José do Patrocínio, 834). É a sexta incursão dos caras pelo país, sendo que, desde 2010, eles não pisam na capital gaúcha.

 

— O Vader é um dos maiores nomes do death metal polonês e mundial, já conhecido pelos brasileiros por sempre fazer um show destruidor. Todos os álbuns possuem características únicas de sua maneira, mas talvez o que mais impressiona é que eles conseguem manter sempre a essência no som, de modo que, ao ouvirmos uma faixa de qualquer época da carreira, é possível sacar na mesma hora que de fato é do Vader — destaca Fabrício Bertolozi, baixista da banda porto-alegrense DyingBreed, convidada para ser a atração de abertura do show deste ano.

 

Como a própria alcunha da tour sugere, o Vader chega para semear o caos musical resultante de uma leitura de mundo nem tão otimista. Costuma ser característica do death metal abordar o lado mais obscuro da humanidade, mas o conjunto liderado vocalista Piotr “Peter” Wiwczarek faz isso com a propriedade de quem cresceu in loco entre atrocidades. Afinal, o músico fundador nasceu em um país que apresentou ao mundo um dos líderes de maior visibilidade da igreja católica (Papa João Paulo II) e que esteve diretamente envolvido nas duas grandes guerras mundiais. E isso o credencia a bradar com autenticidade como conflitos armados e o mau uso da fé podem ter efeito devastador na sociedade.

 

A base sonora para o horror das letras é condizente com a proposta: uma mistura bombástica de death, thrash e heavy mais tradicional que, no campo de batalha — no palco, situando melhor — tem efeito explosivo. Em ação, o Vader mostra porque é vanguarda naquilo faz. Os estadunidenses Possessed e Death são sempre lembrados como linha de frente do metal da morte, mas, no além mar, o Vader também já estava na batalha desde 1983. O reconhecimento veio mais tarde, porém, circa 1990, quando venderam aproximadamente 10 mil cópias da terceira demo, Morbid Reich.

 

Com carreira veterana, mas com disposição para seguir na luta, o Vader tem em seu arsenal 12 discos de estúdio, além de compilações, registros ao vivo e EPs. Dividir o palco com quem carrega um potencial de fogo desses é uma satisfação para aqueles que também batalham na tentativa de mostrar a própria arte.

 

— Para nós da DyingBreed, é uma honra abrir para uma das bandas que muito nos influencia e sempre gostamos, pois foi um dos maiores nomes que nos ajudou a buscar e moldar nosso som dentro do death metal — revela Fabrício.

 

Uma curiosidade mórbida ilustra como o Vader foi além das próprias trincheiras: a banda Eagles of Death Metal (EUA) foi batizada assim após um amigo de Josh Homme (baterista do grupo em questão e frontman do Queens of the Stone Age) tentar mostrar a ele o que é death metal usando o Vader como exemplo. Homme teria dito que o grupo polonês parecia o Eagles do death metal, se questionando como soaria uma mistura entre o estilo e a conjunto autor do hit ‘Hotel California’. A expressão foi escolhida para batizar o grupo que, em 2015, tocava numa boate em Paris quando ocorreu um atentado terrorista, assumido pelo Estado Islâmico, que deixou mais de 80 mortos. Outro indício de que estamos mesmo na idade da treva.

 

Por Homero Pivotto Jr.

[Entrevista] Timo Kotipelto (Stratovarius) fala sobre Blackoustic, projeto com Jani Liimatainen (ex-Sonata Arctica), que fará shows no Brasil

A dupla Jani Allan Kristian Liimatainen e Timo Antero Kotipelto ganhou, cada um em seu canto, notoriedade com as bandas Sonata Arctica e Stratovarius, respectivamente. O guitarrista Jani Liimatainen saiu do grupo em 2007, e hoje encabeça o Cain’s Offering. O vocalista Timo Kotipelto entrou no Stratovarius em meados dos anos 90, onde permanece até então. Ele também é o frontman do Cain’s Offering.

Jani e Timo se juntaram agora para um projeto que se distancia das grandes plateias e das guitarras velozes e ultramelodiosas. Com o Blackoustic, a dupla faz releituras de canções de suas carreiras em formato acústico, com violão e voz. A turnê se tornou um grande sucesso, devido a procura maciça por ingressos na América Central e do Sul. A turnê toda é da Dynamo Prod. Os shows no Brasil acontecem entre dias 18 e 21 de Abril, respectivamente no Rio de Janeiro, São Paulo, Limeira e Porto Alegre. Confira as informações do show de Porto Alegre clicando aqui.

Confira nossa entrevista com Kotipelto, que fala sobre o Blackoustic, os shows no Brasil, e também sobre o Stratovarius.

entrevista conduzida por Kenia Cordeiro
pauta por Arianne Cordeiro e Clovis Roman
tradução por Clovis Roman

Quais as principais diferenças que você nota entre shows convencionais de Metal, com uma banda completa, e uma apresentação acústica?
Timo Kotipelto: E um show acústico, a plateia está bem mais próxima a banda, e claro que quando há apenas duas vozes e um violão, isto faz uma grande diferença. De certa forma, é um espetáculo mais delicado, já que poucos instrumentos são usados. Mas também não é tão distante de um show com banda, especialmente quando as pessoas estão cantando as músicas junto com a gente. Certamente é algo especial e imperdível.

A atual turnê latino-americana é bastante extensa, mas tem poucos shows no Brasil (4). Vocês pensam em voltar para uma segunda parte desta turnê, incluindo mais cidades do nosso país no roteiro?
Kotipelto: Acho que nosso promotor está surpreso com quanto interesse houve, em diferentes países, com nosso show. Inicialmente eu estava esperando fechar três semanas de turnê, mas de repente se tornou seis semanas! Nós adoraríamos fazer mais shows pelo país, mas não poderemos fazer mais desta vez porque temos shows agendados na Finlândia logo após os do Brasil. Na próxima [teremos] mais datas no Brasil.

O repertório no Brasil terá mudanças em relação ao que vem sendo apresentado na Europa?
Kotipelto: Estamos planejando mudar algumas músicas do setlist, para tocar mais sons especiais, mais Stratovarius e algumas do Cain’s Offering. Acho que as pessoas conhecem estas. Algumas vezes, na Finlândia, temos tocado mais covers, mas no Brasil queremos apresentar o que achamos que as pessoas adorariam ouvir da gente.

Já faz um tempo que vocês lançaram o álbum Blackoustic. Vocês vem conversando sobre gravar um novo disco, com faixas inéditas?
Kotipelto: Houve algumas conversas sobre isto. Vamos ver quando for o momento certo. Seria legal ter uma ou duas músicas novas, compostas especialmente para o álbum, também. Não este ano, mas quem sabe ano que vem.

Quais são as suas músicas favoritas para tocar ao vivo?
Kotipelto: São tantas! Algumas covers são legais, mas nós realmente gostamos mesmo de tocar algumas coisas do Stratovarius, que nas versões acústicas são um pouco mais ‘artísticas’.

Há alguma música que você sempre quis tocar ao vivo mas nunca teve a chance de fazê-lo?
Kotipelto: Nós tentamos muitas músicas, mas nem todas é possível tocar com apenas um violão. Eventualmente, por outro lado, nós achamos músicas que surpreendentemente funcionam muito bem em uma versão acústica.

Timo, há planos para um novo álbum do Stratovarius este ano? 
Kotipelto: Estamos compondo neste momento. Claro que vai atrasar um pouco, pois estou estou nessa grande turnê. Mas nós devemos começar a gravar o novo material nos próximos meses. Espero que seja lançado no começo do ano que vem.

Existem chances de vocês lançarem um disco ao vivo e/ou DVD do Blackoustic?
Kotipelto: Eu adoraria gravar um DVD ao vivo, mas se rolar, será algo que vai depender da gravadora. De qualquer maneira, vamos gravar algumas coisas e ver depois.

E em relação ao sucessor do Stormcrow, do Cain’s Offering’s?
Kotipelto: O Jani provavelmente já deve ter algumas ideias para o próximo álbum. Ele está muito ocupado, com um monte de projetos. Nós poderíamos começar a gravar alguma coisa apenas no próximo ano.

Muito obrigado pela entrevista. Para finalizarmos, deixe uma mensagem aos fãs brasileiros.
Kotipelto: Kenia, muito obrigado. Eu sempre amei os shows no Brasil com o Stratovarius, e também com minha própria banda, o Kotipelto. Agora estou ansioso para estes shows acústicos. Venham nos ver e vamos ter uma noite especial juntos!

Deixe queimar, a voz da tormenta está chegando! — Entrevista Glenn Hughes (Deep Purple)

Uma parte considerável do que é feito hoje no mundo do rock tem influência, direta ou indireta, de três bandas inglesas: Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin. Há, inclusive, quem classifique esses grupos como a sagrada tríade do estilo — ou coisa que o valha. E isso não é papo de tiozão do Led, mas uma constatação bem plausível considerando o que dizem artistas na ativa hoje em dia, com ou sem muita visibilidade, sobre suas influências. Caso você concorde com essa crença, há de convir também que só mesmo um abençoado poderia ter integrado mais de uma dessas entidades. E esse bem-afortunado está entre nós, ainda levando a graça de seu talento aos devotos da boa música. Falamos de Glenn Hughes, baixista e vocalista que faz show em Porto Alegre dia 28 de abril, sábado, no Opinião (José do Patrocínio, 836), tocando só músicas do Deep Purple.

Glenn esteve com o conjunto entre 1973 e 1976, participando das fases MK III e MK IV — que incluem os discos Burn (1974), Stormbringer (1974) e Come Taste the Band (1975). Já com o Sabbath gravou apenas um disco, o controverso Seventh Star (1985), que por pouco não foi um álbum solo do guitarrista Tony Iommi. Além de ser agraciado com passagens por essas duas lendas, o veterano de 66 anos ainda foi membro do Trapeze e construiu uma carreira solo. Mais recentemente, esteve tocando com o Black Country Communion (com Jason Bonham, filho do baterista do Led Zeppelin, John Bonham) e California Breed.

Na entrevista a seguir, Glenn explica porque resolveu ressuscitar o repertório do DP recentemente, relembra o fantasma das drogas e avalia sua bendita trajetória.

Por que você resolveu fazer uma turnê tocando apenas músicas do Deep Purple agora? Houve algum acontecimento que desencadeou essa vontade?Glenn Hughes — Senti que esse era o momento certo. O Deep Purple não toca músicas das fases MK3/MK4 (que compreendem o período entre 1973 e 1976, quando Glenn esteve na banda tocando baixo e cantando). Era tempo de revisitar essa fase com o devido respeito que ela merece. A ideia veio após uma turnê na Austrália, quando meu empresário e eu decidimos fazer disso uma prioridade exclusiva pelos próximos anos.

Quais são as memórias mais bacanas do tempo em que você tocou com o DP na metade dos anos 1970? Há lembranças amargas também?
Glenn Hughes —
Muitas recordações maravilhosas, como tocar no festival California Jam (1974) e conhecer Stevie Wonder. Estar no Purple foi uma experiência fantástica. Claro que as drogas arruinaram boa parte delas, e as lembranças se tornaram amargas, como vocês bem devem saber. Eu não estava em um bom lugar no fim da era Purple.

Você sabe se os outros membros do DP aprovam o fato de que você planejou uma tour com um repertório baseado no catálogo da banda?
Glenn Hughes — Não tenho ideia. David (Coverdale) fez isso com o Whitesnake, Ritchie (Blackmore) está tocando sons do DP com o Rainbow. Então, por que eu não poderia?

Qual é o sentimento ao tocar essas faixas antigas agora, para uma plateia em que muitos nem eram nascidos no tempo em que as músicas foram compostas?
Glenn Hughes —
Sou agradecido por trazer esses sons de volta à vida. É muito importante para mim causar impacto em quem ouve essas composições. É incrível que elas tenham passado no teste do tempo, mas grandes músicas são atemporais. Amo ver a reação dos fãs mais novos. Eu quero mostrar isso para todos os admiradores de rock pelo planeta. É tempo de queimar (uma alusão ao disco Burn, de 1974)!

Em sua opinião, como pioneiro no estilo: para onde o rock está indo? O que acha que vai acontecer com o gênero? Pergunto porque a indústria da música mudou, e nomes clássicos como Motorhead, Black Sabbath e Led Zeppelin, entre outros, estão fora do jogo por diferentes razões.
Glenn Hughes —
Sim, tudo está mudando. Não consigo ver uma volta àquela fase de experimentação verdadeira, de inovação. Isso sem falar no tamanho dessas bandas. A indústria era muito maior. Não é crime reconhecer que era melhor no passado, e não é apenas nostalgia. Por isso que estou fazendo essa tour: para dar aos fãs o gostinho de como era nos gloriosos dias do rock setentista.

Como foi ter feito parte de doi gigantes do rock (Purple e Sabbath)?
Glenn Hughes —
Me sinto honrado, claro! Com o Sabbath foi período menor, mas qualquer envolvimento com um pioneiro como Tony Iommi é uma honra.

Falando nisso: muitos dizem que Sabbath, Zeppelin e Purple são a trinca sagrada do rock’n’roll. O que pensa sobre essa afirmação?
Glenn Hughes —
É uma boa analogia, é verdade. E essas bandas eram todas diferentes entre si. Zeppelin tinha o lado acústico, Sabbath o peso sombrio e Purple a improvisação. Três bandas que mudaram a música e influenciaram muitos músicos. Me sinto orgulhoso do papel que tive nisso tudo.

E sobre sua voz: você é chamado de ‘a voz do rock’, e continua cantando com muito entusiasmo e qualidade (vide o show mais recente em Porto Alegre, em 2015). Há algum cuidado especial ou coisa do tipo que costuma fazer para manter a saúde vocal?
Glenn Hughes —
Eu nunca fumei, o que me ajudou a manter a voz. Mas é um presente divino poder cantar. Eu descanso minha voz, cuido bem dela e não fico achando que foi um dom que veio de graça. É natural, então sou muito sortudo de ter mantido minha voz e o alcance dela por todos esses anos.


E sobre seus outros projetos (carreira solo, Black Country Communion, California Breed..). Há ou haverá novidades sobre essas bandas em breve?
Glenn Hughes —
Devem rolar novidades em breve sobre meus planos para o próximo ano. Tenho alguns projetos possíveis, mas com relação às turnês vou me dedicar à ‘ Performs Classic Deep Purple Live’ por um tempo. Talvez role um disco do BBC, e quem sabe uma nova empreitada musical também.

Por Homero Pivotto Jr.

Reinventando clássicos com requinte — Entrevista Paavo Lötjönen (Apocalyptica)

É muito comum jovens que gostam de música usarem suas influências de maneira a criar algo novo. É um anseio criativo pegar referências vindas dos ídolos e adaptá-las à realidade que se vive para buscar um som diferenciado. Com os finlandeses do Apocalyptica não foi diferente. Quando a banda surgiu em 1993, na capital Helsinki, a ideia dos estudantes de música que iniciaram a banda era trazer a paixão que tinham pelo rock e pelo metal para o universo daquilo que estudavam, que tinha um viés mais erudito. Então, surgiu a ideia de recriar arranjos de clássicos feitos com baixo, bateria e guitarra para violoncelo. E a iniciativa, que começou despretensiosa, foi ganhando fama e respeito.

Em 21 de novembro, às 21h, no Opinião (José do Patrocínio, 834), o conjunto mostra ao vivo em Porto Alegre as releituras pelas quais ganhou notoriedade, com destaque para versões do Metallica. Afinal, o Apocalyptica se apropriou — com propriedade — de composições desse ícone do thrash de arena para montar o disco de estreia,  Plays Metallica by Four Cellos (1996).

A turnê atual celebra, justamente, as duas décadas do referido álbum. Aproveitamos a oportunidade para conversar com Paavo Lötjönen, um dos integrantes originais do grupo europeu que se apresenta pela primeira vez na capital gaúcha.

Como surgiu a ideia de reinterpretar temas do heavy metal por meio de instrumentos clássicos, como o cello? E por que começar com um disco dedicado ao Metallica?

Paavo Lötjönen — O Apocalyptica começou muito espontaneamente. Mesmo antes de tocarmos o conjunto de cellos, tipo seis cellos tocando Jimi Hendrix e coisas assim, a gente sabia que uma banda com esse instrumento ficaria bacana para o rock’n’roll. Então, Eicca teve a ideia de fazer arranjos para sons heavy metal. A primeira vez que fizemos isso foi com um som do Sepultura, um do Metallica e um do Slayer, acho. Foi em uma orquestra de acampamento de música que participamos no verão. Nos apresentamos durante uma tarde e foi muito divertido. Nossos amigos curtiram, e nós também. Foi muito legal tocar juntos essas canções não convencionais. E também tem o fato de sermos grandes fãs de rock e de metal. Eicca tocou bateria antes do Apocalyptica, e eu baixo durante a época da escola. Nada sério. Toda nossa vida ouvimos diferentes tipos de música, não apenas erudita. Logo, não somos essas personalidades clássicas, como estudantes de música poderiam ser. Foi muito espontâneo e para nossa própria diversão. Não tínhamos nenhum plano de engatar uma carreira, nem mesmo de ser uma banda. Éramos só um bando de amigos tocando juntos e curtindo. Durante um período tocamos pouco, aqui e ali. Mas, repentinamente, recebemos a oferta para uma noite heavy metal em um espaço de shows público. Havia um cara de gravadora independente nesse evento que adorou nossa performance e veio falar conosco, dizer que tínhamos de gravar um álbum. A gente pensou que ele era louco. Se passaram alguns dias e nos demos conta de que poderia ser um projeto interessante. E se o cara da gravadora pagasse os custos, por que não tentar?

Bom, voltando à sua pergunta sobre a escolha do Metallica… No começo, executávamos também temas do Pantera e do Slayer, mas queríamos ter um conceito claro para o disco. E o resultado foi Apocalytica Plays Metallica by Four Cellos. É isso que iremos tocar para o público no Brasil. É a turnê de 20 anos desse trabalho

Em sua opinião, quais as semelhanças entre heavy metal e música clássica:

Paavo Lötjönen — Eu diria que não tem muito a ver com a parte musical. É mais uma questão de comportamento. Música clássica, algumas vezes, é pensada para ser bombástica e intensa. O metal é parecido: um pouco bombástico, massivo e forte. Mas não é tão simples.

Quando e como perceberam que unir metal e música clássica funcionaria bem?

Paavo Lötjönen — É um lance de temperamento. Nós amamos o metal e éramos jovens loucos o suficiente de pensar: “por que não combinar isso com música clássica?”. Simplesmente funcionou

Como é o processo de, digamos, traduzir um som mais pesado para cellos e quais os elementos que fazem a banda escolher determinada composição para recriar?

Paavo Lötjönen — Escolhemos temas dos quais gostamos e que, de alguma maneira, sejam tecnicamente possíveis de tocarmos. Geralmente são faixas não tão rápidas, nem muito baseadas em baixo ou bateria. Os melhores sons, para nós, são os que têm um pouco mais de melodia. Por exemplo: ‘One’, ‘Sanitarium’, ‘Nothing Else Matters’ e materiais nessa linha são fantásticos para serem executados por cellos. Isso porque, mesmo o cello podendo ser tocado ritmicamente, é um instrumento bem melódico. Basicamente, não pensamos em executar tal música de maneira clássica. Gostamos de pensar que fazemos de um jeito metal com cellos, algo não muito comum no rock ou no metal. Aquele tipo de coisa: não tente isso em casa! (risos) Nós somos loucos e estúpidos a ponto de continuar fazendo dessa maneira. Algumas vezes você tem de fazer as coisas sem medo para encontrar o pote de ouro. Acredito que conseguimos realizar isso com sucesso, de alguma maneira — mesmo que seja sempre uma batalha

Sabem o que artistas interpretados pelo Apocalyptica pensam das versões feitas por vocês?

Paavo Lötjönen — Ao menos o Metallica… tocamos algumas vezes com eles. E creio que isso prova algo. Quando eles fizeram o disco com a sinfônica de São Francisco, nos convidaram para as gravações e a noite de estreia, e falaram que nosso trabalho mostrou que era possível fazer o lance com a orquestra. Eles também nos convidaram para tocar na festa de 30 anos da banda, o que foi uma honra!

Para você, qual foi a versão mais tocante que o Apolyptica já fez e por quê?

Paavo Lötjönen — Todos na banda temos opiniões diferentes sobre nossas faixas favoritas. Somos indivíduos em uma banda. Mas as minhas releituras preferida são ‘Nothing Else Matters’, ‘Sanitarium’ e ‘Fight Fire with Fire’. Há forças opostas nessas faixas.‘Nothing Else Matters’ tem uma melodia muito bonita que a faz soar bem com os cellos. É uma música harmônica e as linhas melódicas ficam ótimas. ‘Sanitarium’ tem boa estrutura, funciona bem, é pesada e rápida. E mesmo assim é bastante melódica e bonita. As composições mais melódicas funcionam bem para cello. É de onde vem a beleza desse instrumento. Por outro lado, ‘Fight Fire with Fire’ é extremamente rápida e técnica. E isso só comprova que podemos criar coisas loucas e velozes. Algo que o pessoal da música clássica nem acreditaria.

A atual turnê celebra o lançamento do Plays Metallica by Four Cello, lançado em 1996. Como tem sido reviver esse primeiro trabalho? Quais memórias vêm à tona?

Paavo Lötjönen — Em nossos shows temos duas partes. Na primeira, executamos só o primeiro disco, do começo ao último som, somente com os quatro cellos. Bem como ele foi gravado. A música traz diferentes tipos de sensações e lembranças. Mas também é como um máquina do tempo. Se você ouvir sons que escutava quando criança, isso de alguma maneira recupera sentimentos profundos e pensamentos de como era ouvi-los em determinada época. É uma cápsula do tempo que retoma devaneios do passado. Agora, estamos passando pela Europa e América do Norte e as pessoas falam de como aquilo puxa lembranças e sentimentos de quando eram jovens. É algo fantástico, pois música boa desperta sentimentos e emoções. Espero que as pessoas estejam em uma boa vibe quando forem nos ver ao vivo no Brasil. Para mim, essa gira remexe naquele sentimento que tínhamos quando começamos a fazer turnês como uma banda pequena. Isso me faz mais jovem por um tempo.

Você imaginava, quando tudo começou, que o Apocalyptica seria uma banda de verdade, e não apenas um projeto?

Paavo Lötjönen — Como comentei, a gente não tinha nenhum plano. Tudo rolou passo a passo. Foi uma fantástica e positiva surpresa o que aconteceu durante nossa carreira. Nunca tivemos um plano, e até hoje não o temos. Realizamos as coisas aos poucos e trabalhamos duro para fazer acontecer — sempre ouvindo nossos corações e atentos ao que sentimos. E isso ainda nos faz sentir bem e nos levou à plateias cada vez maiores. Ver os olhos das pessoas vivendo a música com a gente faz aflorar o sentimento de que tocar é um trabalho fantástico a se fazer.

Por Homero Pivotto Jr.

Nota Restituição SOJA

* RESTITUIÇÃO DA DIFERENÇA NO VALOR DOS INGRESSOS PARA O SHOW DO SOJA *

Em razão da troca de local para o show do SOJA, e atendendo aos pedidos do público em relação à essa mudança,
a Abstratti vai disponibilizar a RESTITUIÇÃO DA DIFERENÇA NO VALORES dos ingressos aos compradores de Pista Premium (setor que se torna pista) e quem comprou Mezanino terá uma área exclusiva no Mezanino (2º andar) do Opinião.
Como será a restituição da diferença de valores da Pista Premium:

Compra através de cartão de crédito: O reembolso da diferença será automática nos próximos 7 dias úteis via crédito no próprio cartão, para os pedidos já alterados, será necessário nomear os ingressos novamente.
Compra via boleto: O reembolso será via depósito, e será necessário informar através da Central de Atendimento da Blueticket, os dados bancários (banco, agência e conta) e o CPF do titular da compra e será gerado um novo ingresso.

Compra via pontos de vendas físicos: O reembolso da diferença será realizada na bilheteria local no dia do evento a partir das 17hs.
As informações são referentes aos preços de Pista Premium quando o evento ainda estava agenda do Pepsi on Stage e a quanto os compradores têm direito a receber de volta.

PREMIUM
1º lote
– inteira R$280: restituição R$40,00
– promocional R$145: restituição R$20,00
– meia entrada R$140 – restituição R$20,00
2º lote
– inteira R$320: restituição R$80,00
– promocional R$165: restituição R$40,00
– meia entrada R$160: restituição R$40,00

MEZANINO
Tem direito à área EXCLUSIVA no mezanino (2º andar) do Opinião.

***Se o cliente optar pela devolução do dinheiro em caso de desistência do show, o procedimento será feito nos mesmos locais onde a compra foi realizada antecipadamente. Para as demais compras, o passo a passo será:

Site Blueticket: 

O cliente deverá entrar em contato com a Central de Atendimento através do link www.blueticket.com.br/?secao=Contato e solicitar o cancelamento do ingresso.

– Cartão de crédito: o reembolso do valor será realizado automaticamente pela operadora do cartão.

– Boleto bancário: para o reembolso via depósito, será necessário informar, também através do Fale Conosco da
Blueticket, os dados bancários (banco, agência e conta) e o CPF do titular da compra para o recebimento do valor.

[Show será no Opinião] SOJA em Porto Alegre

A apresentação do SOJA em Porto Alegre nesta quarta-feira (08/11) tem novo local: o Opinião (José do Patrocínio, 834). O show, que seria no Pepsi On Stage, continua marcado para começar às 21h com abertura da banda gaúcha Paradise Sessions às 20h. Ingressos já adquiridos não necessitam de troca e quem comprou Pista Premium terá direito à duas Cervejas Eisenbahn. Clientes que adquiriram tickets de mezanino tem espaço reservado no mezanino do Opinião, desde que chegando até as 20h.

Ainda há ingressos disponíveis (valores e informações no serviço abaixo).

::: SOJA :::

Local
Opinião (José do Patrocínio, 834)

Classificação etária:
14 anos

Quando
Quarta, 8 de novembro, às 21h

Cronograma
19h — abertura da casa
20h — Paradise Sessions
21h —  SOJA

Ingressos
Antecipados
Promocional —  R$ 125,00*
Meia — R$ 120,00**

Na hora
Promocional —  R$ 145,00*
Meia — R$ 140,00**

* Promocional: valor reduzido, por promoção, mediante doação de 1kg de alimento não-perecível (entrega somente na entrada do espetáculo)

** Meia-entrada: 50% de desconto para estudantes, idosos e PNE. Para o benefício da meia-entrada é necessário apresentar comprovação no dia do evento, ao acessar o local do show. Os documentos aceitos como válidos estão determinados no artigo 4º da Lei Estadual 14.612/14.

*** Quem optar pela devolução do dinheiro, o procedimento será feito nos mesmos pontos de venda em que as entradas foram adquiridas antecipadamente. Para as demais compras, o passo a passo será:

Cartão de crédito: o reembolso do valor vai ser realizado automaticamente pela operadora do cartão, caso solicitado via Central de Atendimento da Blue Ticket, pela página www.blueticket.com.br.

Boleto bancário: para o reembolso via depósito, será necessário informar, também através da Central de Atendimento da Blue Ticket, os dados bancários (banco, agência e conta) e o CPF do titular da compra para o recebimento do valor.

PONTOS DE VENDA:
Online
www.blueticket.com.br (em até 6x no cartão)

Lojas (somente em dinheiro)

Sem taxa de conveniência:
Youcom – Bourbon Wallig, 3º piso. Fone: (51) 3206-5490.

Com taxa de conveniência (R$ 5,00):
Multisom — Rua dos Andradas, 1001. Fone: (51) 3931-5381.
Multisom — São Leopoldo Shopping Bourbon. Fone: (51) 3952-1310.
Youcom – Bourbon Ipiranga, 1º piso. Fone: (51) 3206-5492.
Youcom — Shopping Total. Fone: (51) 3206-5452.
Youcom – Shopping Praia de Belas, 3º piso. Fone: (51) 3206-5530.
Youcom – Shopping Iguatemi, 2º piso. Fone: (51) 3206-5820.
Youcom – Barra Shopping, térreo. Fone: (51) 3206-5423.
Youcom – Novo Hamburgo (Av. Nações Unidas, 2001, segundo piso), lojas 2086/2090 | Bairro Rio Branco. Fone: (51) 3206-5540.
Youcom – Shopping Canoas. Fone (51) 3206-5435.
Youcom — Bourbon Shopping São Leopoldo (Rua Primeiro De Março, 821, bairro Centro).

* A organização do evento não se responsabiliza por ingressos comprados fora do site e pontos de venda oficiais.

** Será expressamente proibida a entrada de câmeras fotográficas profissionais e semiprofissionais, bem como filmadoras de qualquer tipo.

Poesia, reflexão e boas vibrações — Entrevista com Jacob Hemphill (vocalista SOJA)

Há bandas que se propõem a fazer de suas composições mais do que apenas bons sons. Os estadunidenses do SOJA são parte dessa categoria. Com uma musicalidade baseada no reggae, mas que carrega referências de dub, ska, hardcore e até pop, o grupo busca gerar uma reflexão no ouvinte. Fazer com que cada um olhe para dentro de si e pergunte o que está fazendo com a própria vida na busca pela felicidade.

Sucesso no Brasil, o octeto volta ao país para, mais uma vez, protagonizar suas tradicionais apresentações intensas. Em Porto Alegre, o show ocorre em 8 de novembro, no Pepsi on Stage (Av. Severo Dullius, 1995), às 21h.

O vocalista e compositor Jacob Hemphill concedeu uma entrevista exclusiva à Abstratti Produtora. O poder da música, a trajetória do grupo que ajudou a fundar e o disco novo estão na pauta. Confira!

O SOJA tem uma ligação bem próxima com os fãs brasileiros (a banda já veio diversas vezes para cá e as apresentações costumam ser lotadas, por exemplo). Por que você acredita que nosso país abraçou a música da banda tão forte?

Jacob Hemphill — Não tenho bem certeza, mas é algo muito bom que eu não consigo entender completamente. Se eu pensar que sei as razões pelas quais cada pessoa abraça nossa música, isso talvez influencie em como faço as composições no futuro. Durante o tempo em que estamos na ativa, continuamos fazendo músicas que nós, como banda, acreditamos. E se essas faixas ecoam entre nossos fãs, independentemente de onde eles sejam, provavelmente estamos fazendo algo certo.

O reggae é, certamente, a base do som do SOJA. Porém, a banda aposta também em elementos de outros estilos, como hardcore, rap e ska. Como vocês moldaram a própria sonoridade?

Jacob Hemphill — Apenas tentamos, coletivamente, criar temas que curtimos tocar e que se encaixam com a temática das letras. Não queremos conscientemente, fazer algo soar reggae ou especificamente incorporar qualquer outro estilo de música. Somo oito músicos, então, naturalmente, cada som tem suas próprias características.

Falando nisso: qual é background musical da banda? Quem são seus heróis na música?

Jacob Hemphill — Eu ouço muito Paul Simon, Sade e Bob Marley desde moleque. E sigo ouvindo esses artistas. Esses que citei são apenas alguns. Eu vejo algo de heroico em cada músico que escuto ou sou sortudo o suficiente de encontrar pessoalmente. Há uma incrível bravura sobre criar uma obra e disponibilizar isso para o mundo com o seu nome.

Algo que chama a atenção na musicalidade do SOJA é que existe um apelo pop bem aplicado. E isso é muito interessante! Ajuda a espalhar a palavra mundo afora para cada vez mais pessoas. Essa é uma característica proposital ou algo que rola naturalmente?

Jacob Hemphill — Não fazemos nada soar conscientemente de uma forma ou de outra, tampouco tentamos criar músicas de maior apelo entre as massas. Fazemos a música que desejamos e, se as pessoas se identificam, ótimo!

O SOJA tem uma preocupação com a mensagem que é passada nas composições, sempre tentando fazer com que os ouvintes sintam-se um pouco melhor com suas posições neste mundo tão injusto. Como e quando isso passou a ser tão importante em seu trabalho?

Jacob Hemphill — Alguns anos atrás meu pai disse: “agora, você tem um microfone e existem pessoas que estão ouvindo. É possível fazer o que quiser com isso. Mas, no fim das contas, creio que você deva deixar algo que faça o mundo ter orgulho do que foi realizado usando esse microfone”.

Você percebe que as pessoas prestam atenção às letras, conectando-se umas com as outras ou tentando ser um pouco melhores?

Jacob Hemphill — Fãs escrevem para mim falando sobre como uma letra em particular os impactou. Essas são minhas histórias preferidas de ouvir, pois a experiência de cada um é diferente.

O SOJA iniciou as atividades ainda na escola, certo? Como surgiu a ideia de montar uma banda e como vocês mantêm praticamente a mesma formação até hoje?

Jacob Hemphill — É porque começamos como amigos e continuamos assim. Seguimos nos divertindo e dividindo nosso tempo juntos. Estamos envolvidos uns na vida dos outros fora do SOJA. Somos irmãos antes de sermos colegas de banda.

Conte-nos um pouco sobre o novo álbum Poetry In Motion e sua teática. Como esse disco difere do anterior Amid the Noise and Haste?

Jacob Hemphill — Amid The Noise and Haste era sobre pessoas tentando encontrar uma direção nesse mundo. Poetry In Motion é sobre observar e apreciar toda a beleza que nos rodeia. Amid The Noise and Haste foi um trabalho muito colaborativo, que inclui diversas participações especiais. Já Poetry In Motion é apenas o SOJA junto no estúdio fazendo música como bons irmãos.

Por Homero Pivotto Jr.

O poder mágico do reencontro — entrevista Michael Kiske (vocalista do Helloween)

Ouvir um bom som pesado é algo mágico. Quem aprecia heavy metal e suas vertentes sabe que é possível ficar enfeitiçado pela música. Mas há ocasiões em que o universo conspira a favor e o encantamento materializa-se no mundo real. Um bom exemplo é a chance de conferir o Helloween no dia Halloween. Essa oportunidade única ocorre em Porto Alegre, dia 31 de outubro, no Pepsi on Stage, quando a banda alemã passa pela capital gaúcha com a aguardada turnê Pumpkin United Tour.

Não se trata apenas de mais uma gira do grupo que é referência para o speed/power metal desde os anos 1980. Esta é o união do clássico com o contemporâneo, o momento em que integrantes da formação original do conjunto encontram os da atual para apresentações de aproximadamente três horas de duração. A tour marca o (re)encontro de Michael Kiske (voz) e Kai Hansen (guitarra) após praticamente três décadas. Além deles, o espetáculo tem ainda Andi Deris (voz), Michael Weikath (guitarra), Sascha Gerstner (guitarra), Markus Grosskopf (baixo) e Daniel Löble (bateria) no palco.

Conversamos com Michael Kiske sobre como a reunião foi possível e o que esperar deste histórico acontecimento.

Michael Weikath disse em uma entrevista recente que a ideia para a turnê Pumpkins United World — que reúne integrantes de diferentes períodos — teria começado há uns 20 anos, e partiu do vocalista Kai Hansen. Por que levou tanto tempo para isso realmente ocorrer?

Michael Kiske — Kai esteve falando sobre isso por um bom tempo. Não sei se duas décadas, vai saber? Todos precisávamos do nosso tempo, e agora é o momento certo. Talvez isso não tivesse funcionado antes. Abordei Michael Weikath em 2013, em um show, e conversamos bastante, deixando as diferenças de lado. E, agora, estamos prontos para Pumpkin United Tour.

E qual foi o ponto em que todos concordaram em fazer a tour? Por quê?

Michael Kiske — Basicamente, depois Michael e eu conversamos foi quando tudo ficou mais claro. Todos os membros foram acionados, as questões administrativas foram acertadas e nós concordamos.

Poderia descrever a primeira vez que os envolvidos nesta empreitada se encontraram novamente? Foi em um ensaio?

Michael Kiske — Não, nos encontramos antes e foi ótimo. Sem ressentimentos, apenas curtimos estar juntos.

Falando sobre isso… como foi o primeiro ensaio para a Pumpkin United Tour? A banda realmente tocou ou simplesmente aproveitou o reencontro como bons velhos amigos?

Michael Kiske — Ensaio é trabalho, não curtição. Todos fizeram suas lições antes, mas precisávamos nos acertar em equipe, já que não tocamos juntos antes com essa configuração. Foi trabalhoso, mas uma excelente experiência e um desafio.

Como está clima entre a banda para rodar o mundo?

Michael Kiske — Excelente! Os ensaios estão bons e nós emocionados.

Com tantos álbuns na discografia, como escolher o setlist os shows?

Michael Kiske — É bem complicado. Todos nós trabalhamos nisso para preparar um repertório que os fãs irão adorar. Músicas velhas e novas, duetos, performances de diferentes vocais, solos de guitarra… teremos de tudo!

É verdade que as apresentações têm cerca de três horas de duração? É um tempo considerável para se estar no palco. Como manter a energia e a química para essas performances intensas?

Michael Kiske — Sim, será um longo show. Pelo menos 2h30min/3h de espetáculo. Não será um problema, todos na banda estão preparados e sabem o que fazer. Creio que será divertido!

Kai Hansen deve cantar alguma faixa clássica do passado ou os vocais devem ser feitos apenas por você e Deris?

Michael Kiske — Não, apenas eu e Andi dividiremos o microfone.

Os integrantes do Helloween têm comentado em entrevistas sobre uma nova faixa reunindo a formação da Pumpkin United Tour. A música está pronta? Quando os fãs poderão curtir esse registro?

Michael Kiske — Está pronta e será lançada logo que a turnê iniciar (durante o mês de outubro).

Todos os músicas envolvidos na tour gravaram a composição?

Michael Kiske — Sim!

Como você vê o cenário heavy metal atual e por que acredita que o Helloween continua relevante para o gênero?

Michael Kiske — Acho que o Helloween ainda se destaca porque amamos o que fazemos e isso nos faz sentir bem. A cena metal continua viva e há algumas boas bandas, mas quem é que sabe se a carreira desses novos artistas irá durar? Neste momento, as pessoas tendem a dar mais atenção à bandas velhas, o que faz com que não seja fácil para nomes ainda não estabelecidos conquistarem seu espaço.

Por Homero Pivotto Jr.

Sem melancolia com o Millencolin — entrevista Fredrik Larzon (baterista)

O frio intenso em partes do ano, às vezes acompanhado da neve, cria um cenário bucólico na Suécia que, segundo moradores do país, é um dos fatores que contribui para que tantas bandas sejam formadas por lá. Afinal, reunir os amigos e mandar um som em alguma garagem e/ou estúdio aquece os corações e ajuda a passar o tempo. Mas há bandas da nação escandinava que conseguem criar um clima ensolarado em suas composições independentemente da estação do ano. É o caso do Millencolin, que buscou referências, principalmente, no punk rock melódico da Califórnia (EUA) para criar músicas apropriadas para uma session de surf ou skate.

Surgido nos anos 1990, o grupo despontou — ao menos no Brasil — na mesma década, quando nomes como Bad Religion, Pennywise e NOFX ganharam popularidade em solo nacional. Pegando influência desses artistas, mas criando uma identidade própria, o Millencolin conquistou seu espaço entre o público fã de punk rock/HC menos truncado.

Em 2017, o quarteto retorna ao Brasil para mostrar serviço em cena, comprovando que, além dos esportes radicais, é excelente trilha para moshpits e rodas de pogo. Em Porto Alegre, a apresentação rola domingo,8 de outubro, às 21h, no Opinião (José do Patrocínio, 834).

O baterista Fredrik Larzon respondeu alguma perguntas exclusivas para a Abstratti Produtora via e-mail, diretamente de sua terra natal. Entre os temas, o porquê de a Suécia ser tão prolífica na cena roqueira mundial, radicalismos e história do Millencolin.

Como fã de rock sueco, preciso começar esta entrevista perguntando: tem algo na água do seu país (risos)? Porque há muitas bandas legais de diferentes vertentes. Podemos citar Millencolin, Entombed A.D, Dismember, At The Gates, In Flames, Hellacopters, Anti-Cimex, Wolfbrigade, Disfear, Dissection, Nasum, Refused, The Hives, Grave, Masshysteri, Unleashed, Kvoteringen (que tem você como baterista), Genocide Superstars, Graveyard, No Fun At All, Håkan Hellström, Invsn… e até ABBA e Europe. Qual sua opinião sobre o fato de existirem tantos artistas bacanas na Suécia?

Fredrik Larzon — Valeu! Legal saber que você curte nossa música — e as bandas citadas são realmente sensacionais!
Não é fácil dar a você uma razão. Alguns dizem que nos anos 1980 e 1990 o Estado apoiava associações internacionais economicamente e isso resultou em um monte de grupos musicais e artistas solos. Outro acreditam ser o clima, ironicamente. Para nós, como conjunto, nos ajudou muito ter um lugar para ir e alugar equipamento e gravar demos em um estúdio por uma pequena taxa anual. Isso nos inspirou e nos deu liberdade para promover shows e coisas do tipo. Quanto mais ensaiávamos, mais tempo de graça no estúdio a gente conseguia. Muitas das bandas daqui, incluindo o Millencolin, se inspiraram nos Estados Unidos ou na Inglaterra para criar algo diferente. Era trabalho duro e dedicação.
Ao mesmo tempo, temos todos os tipos de música, TV e filmes por aqui que não são dublados de seus idiomas originais. Além disso, aprendemos inglês desde muito cedo nas escolas, bem como outros idiomas. E isso facilita as coisas para quem busca encontrar público fora da Suécia. Claro que a maioria das produções na mídia vinham dos EUA e da Inglaterra.

Outra questão interessante é bandas de estilos distintos parecerem parceiras e curtir diferentes tipos de som. Isso é maravilhoso e comum hoje em dia, mas, no passado, não era tão normal. As pessoas achavam estranho, por exemplo, pegar um encarte de banda death metal agradecendo outra de hardcore melódico (no encarte do álbum Clandestine, do Entombed, o quarteto death metal saúda o Bad Religion, por exemplo). Como é isso com vocês?

Fredrik Larzon — Eu concordo, pelo menos em relação a certo período. Claro que há muita divisão por gênero aqui, mas eu não senti isso por um longo tempo. Porém, nunca sentimos a necessidade de fazer parte de uma cena específica.
A Suécia é um país muito pequeno, e penso que, cedo ou tarde, você vai topar com outros artistas, independentemente do tipo de som que faz. Isso faz a gente descobrir que somos apenas pessoas compartilhando nosso amor pela música. São apenas tipos ou graus de extremos diferentes. É música: se você gosta, curta! Se não, apenas não ouça. É uma questão de mostrar respeito, além de ser uma boa maneira de buscar inspiração quando não se fica restrito a um estilo.

O Millencolin começou nos anos 1990. Como era a cena punk com a qual vocês tinham contato?

Fredrik Larzon — Quando começamos a banda, havia poucas bandas fazendo algo similar (No Fun At All, Superdong/Skumback, Randy, Satanic Surfers etc). Creio que fomos pegos pelo punk/hc estadunidense, especialmente o do sul da Califórnia. O skate também foi crucial! Sem skate, provavelmente não haveria Millencolin. Os outros três caras (Nikola Sarcevic — baixo e voz, Mathias Färm — guitarra e Erik Ohlsson — guitarra) andam de skate desde adolescentes e ficavam praticando no carrinho sempre que não estávamos ensaiando. Ouvimos um monte de música que nos inspirou nos vídeos de skate e decidimos começar uma banda no estilo desses artistas. A gente também tocava em outras bandas. Não demorou muito para abandonarmos os outros projetos musicais e focarmos no Millencolin. A cena era boa: muitos shows, muita gente nas gigs. A gente fazia eventos e convidava outras bandas e vice-versa. Trocávamos demo, fazíamos fanzine e coisas assim.

O Millenconlin tem uma referência forte do punk estadunidense, mais do que do europeu. Ao menos no Brasil, a banda passou a receber mais atenção quando nomes como Green Day, Rancid, Bad Religion, Pennywise e até Offspring começaram a fazer sucesso em nosso país. Vocês se sentem parte desta onda do punk rock noventista?

Fredrik Larzon — Sim! Ouvíamos muito o que saía pela Epitah e pela Fat Wreck. Fomos muito influenciados por Bad Religion, Descendents, Operation Ivy, Pennywise, NOFX e outros. Fizemos alguns shows no começo da carreira com Bad Religion e Offspring aqui na Suécia. Também rolou um tour na Europa com o Pennywise. Ao assinarmos com a Epitath, isso ficou mais evidente. Definitivamente, nos sentimos parte deste movimento!

Quais bandas foram como heróis para vocês e quais elementos do hardcore estadunidense chamaram sua atenção?

Fredrik Larzon — As bandas que mencionei anteriormente, junto com Circle Jerks, Misfits, Agent Orange, Quicksand e Samiam foram algumas das que nos influenciaram. Também tivemos referências de artistas suecos e de outros estilos. Sempre tentamos manter a mente aberta para sempre estarmos inspirados.

Como a Epitath descobriu o Millencolin. O quão importante foi ter essa oportunidade de mostrar sua música para o público ‘certo’ — não que a Europa fosse o alvo errado, mas o som de vocês parece ter mais apelo na América?

Fredrik Larzon — Começamos a trabalhar com a Burning Heart Records, da Suécia, depois das nossas demos. Como eles lançavam artistas similares, porém suecos, para a Epitah, as duas gravadoras começaram a fazer parcerias. Porém, assinamos ainda antes disso com a Epitaph. Lembro do Fletcher (Pennywise) falando para o Brett (dono da Epitaph e integrante do Bad Religion) no meio de uma bebedeira para ele assinar com a gente. Hahaha
Em 1995, isso aconteceu e o Life On A Plate saiu nos EUA logo depois de termos feito uma Vans Warped Tour por lá. Foi algo grandioso para nós, com certeza. Desde então, trabalhamos juntos (Millencolin e Epitaph)!

Como vocês lidam com a questão de fazer sons só por diversão e outros mais sérios, como uma ‘real banda punk (brincadeirinha!)?

Fredrik Larzon — Nikola escreve boa parte das letras, mas entendo o que você está falando. Sempre quisemos fazer punk melódico com sons sobre o cotidiano, descrevendo situações alegres e problemas sérios.

Tem sido assim desde sempre, mas é cada vez mais importante para a gente com o passar dos anos lidar com algumas questões. Como as mudanças no mundo e o jeito que as pessoas tratam umas às outras, por exemplo. Às vezes é preciso ficar atento às entrelinhas para entender o significado das nossas músicas. Creio que Nikola é um excelente compositor!

O disco mais recente True Brew é um bom exemplo: há temas positivos, mas também músicas mais críticas, como ‘Sense & Sensibility’. Essa faixa fala sobre as merdas feitas por racistas e nacionalistas idiotas. Como está esse lance na Suécia e o que você pensa de episódios recentes envolvendo essas questões, como em Charlottesville?

Fredrik Larzon — É muito ruim! O racismo está crescendo por toda a Europa e é assustador e fudidamente nojento!

Como merdas assim impactam sua arte e até suas vidas pessoais?

Fredrik Larzon – Temos o poder de dizer o que sentimos sobre isso e parece mais importante do que nunca nos mostrarmos contra isso.

E sobre disco novo, há algo nesse sentido?

Fredrik Larzon — Sim! Temos ideias para sons e tal, mas antes queremos nos concentrar na turnê pela América do Sul e os shows na Suécia que virão em seguida. Estamos muito felizes sobre essa gira e ansiosos para tocar no Brasil! Obrigado pelas perguntas! Nos vemos nos shows!

Por Homero Pivotto Jr.